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Olhar São Paulo: Sempla lança publicação sobre desigualdades territoriais (12/03/08)
Olhar São Paulo – Contrastes Urbanos é a mais recente publicação da Secretaria Municipal de Planejamento - Sempla. Elaborada pelo seu Departamento de Estatística e Produção de Informação – Dipro, apresenta uma síntese de dados sobre a cidade de São Paulo, com foco nas desigualdades socioterritoriais, revelando um município feito de profundos contrastes e marcantes diferenças no modo de seus habitantes viverem e se apropriarem do espaço urbano.
O estudo é uma contribuição do poder público para a o aprofundamento e a disseminação do conhecimento dos problemas urbanos e, como também está integralmente disponível na página da Secretaria (http://sempla.prefeitura.sp.gov.br), garante tanto aos estudiosos como aos cidadãos comuns o amplo acesso à informação sobre os temas relacionados à metrópole paulistana.
A ampla variedade das fontes de informações utilizadas no estudo permite contextualizar a cidade multifacetada sob o ponto de vista de três grandes quadros-síntese: demográfico, econômico e social, além de ressaltar as relações existentes entre o território — e a infra-estrutura nele instalada — com os temas da cidadania, da violência e da distribuição das oportunidades econômicas. “O retrato apresentado é revelador dos desafios que a cidade global coloca para seus habitantes e, principalmente, para os gestores públicos comprometidos com a meta de melhoria da qualidade de vida dos que aqui vivem e trabalham”, diz José Marcos Pereira de Araújo, sociólogo do Dipro que coordenou o trabalho.
Sob esse aspecto, Olhar São Paulo – Contrastes Urbanos mostra, por exemplo, que se por um lado houve significativa alteração da dinâmica demográfica nas duas últimas décadas, tendo-se reduzido drasticamente o ritmo do crescimento demográfico no município como um todo, por outro, conformou-se uma situação de grande desigualdade entre as áreas da cidade que vêm sistematicamente perdendo população (aquelas, de modo geral habitadas pelos segmentos de melhor padrão de renda) e outras que apresentam taxas muito elevadas de crescimento populacional (não por acaso, situadas nas porções periféricas do município, habitadas por populações de baixa renda e que incluem áreas frágeis do ponto de vista ambiental).
As relações entre as atividades econômicas e o território são um outro aspecto que ressalta a cidade marcada por contrastes. A distribuição espacial dos empregos, quando confrontada com a distribuição espacial da população, por exemplo, indica claramente o descompasso entre oferta de postos de trabalho nas áreas mais densamente povoadas, já que se observa um alto grau de concentração espacial da atividade econômica no município. Por outro lado, são mostrados em mapas de fácil compreensão, as novas centralidades produzidas pelas atividades de serviços voltados à inovação tecnológica, como as zonas da Berrini e da Marginal do Pinheiros, com larga presença de empresas ligadas aos serviços de hardware e de software
Exclusão e vulnerabilidade social são realidades que aparecem estreitamente vinculadas aos demais aspectos da vida urbana enfocados no trabalho. Mapas e gráficos dedicados a captar a situação de segmentos mais diretamente expostos à situação de pobreza trazem informações sobre os temas específicos das crianças, adolescentes e jovens, mulheres, idosos, população negra e população em situação de rua. Não por acaso, esses grupos se encontram em grande parte nas áreas com menor concentração de serviços, de saúde, de transporte e saneamento.
Olhar São Paulo é uma excelente oportunidade para melhor conhecer os dilemas da cidade para o século XXI, pois oferece em suas representações cartográficas criativas e inovadoras, geradas com o uso de modernas e avançadas técnicas de processamento de dados espaciais um retrato claro e objetivo da cidade, completado pelos textos curtos e informativos, mas mantém na sua síntese, o necessário rigor analítico. “Trata-se de uma publicação que estimula e qualifica a ação transformadora de todos aqueles interessados no futuro da metrópole paulistana, sejam os agentes públicos voltados à otimização dos recursos disponíveis, sejam os cidadãos que buscam construir um futuro melhor para todos”, comenta o secretário municipal de Planejamento, Manuelito Magalhães. |