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Livro aponta medidas para amenizar os impactos do Minhocão na cidade
(16/12/08)

 

A Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla) e a Imprensa Oficial do Estado lançam o livro "Caminhos do Elevado - Memórias e Projetos". A publicação reúne artigos de especialistas em urbanismo e os projetos vencedores do 2º Prêmio Prestes Maia que, em 2006, selecionou 46 planos que visavam minimizar os problemas causados pelo Elevado Costa e Silva no entorno da região central da cidade, onde está localizado.

 

O Minhocão – nome pelo qual o elevado é popularmente conhecido em São Paulo – desde que foi construído, em 1971, sempre foi motivo de polêmica: ninguém o quer por perto, mas todos sabem de sua importância para o sistema viário da cidade. A via elevada está a 5,5 metros do solo, tem 2,7 quilômetros de extensão, por onde trafegam 80 mil veículos por dia e liga a zona leste à oeste.

 

Organizado pela historiadora Rosa Artigas e pelas arquitetas Joana Mello e Ana Cláudia Castro, "Caminhos do Elevado - Memória e Projetos" trás, inicialmente, três artigos: o primeiro é um delicioso texto histórico escrito pelo urbanista Candido Malta Campos, que conta como era a cidade séculos atrás. Reproduz ainda a saga do Minhocão e como era a região onde foi construído, o bairro central de Campos Elíseos. Já em fins dos anos 60 e início da década seguinte, São Paulo apresentava congestionamentos e uma solução viária se fazia necessária.

 

O segundo texto, de autoria das arquitetas Renata Motta e Ana Paula Nascimento, é ilustrado por belas fotos e retoma os diversos momentos em que o elevado firmou sua característica de personagem da cidade – principal ou coadjuvante. A peça trata das intervenções artísticas realizadas na via desde sua inauguração, seja como forma de manifestação ou para requalificar seu entorno. O Minhocão foi e ainda é cenário de muitos ensaios fotográficos e de filmes nacionais.

 

Os arquitetos Renato Luiz Sobral Anelli e Alexandre Rodrigues escrevem o terceiro artigo e fazem uma análise da ligação entre a forma urbana e os interesses da indústria automobilística que ganhava cada vez mais força entre os anos 60 e 70. Os especialistas lembram que o desenvolvimento do projeto para a construção do elevado durou aproximadamente 50 anos.

 

Projetos – A edição também detalha os projetos vencedores da 2ª edição do Prêmio Prestes Maia, lançado em fevereiro de 2006. O prêmio, realizado a cada quatro anos, é uma homenagem a um dos mais importantes prefeitos da cidade de São Paulo, Francisco Prestes Maia, e tem o objetivo de valorizar iniciativas na área do planejamento e da engenharia urbana. Naquele ano, a idéia era premiar propostas de intervenção urbana da região do elevado Costa e Silva.

 

A maioria dos concorrentes, cerca de 80%, levou em consideração os custos e os transtornos que uma demolição causariam à cidade e optou por manter a estrutura da via. “Embora ninguém goste do Minhocão, ele cumpre com a sua função. Enquanto não houver alternativa para o tráfego naquela região, o elevado é uma solução”, diz o secretário adjunto da Sempla, Luiz Laurent Bloch.

 

Os vencedores do projeto, os arquitetos José Alves e Juliana Corradini, propuseram manter a função de conexão viária Leste/Oeste, envolvendo o elevado numa estrutura acústica que abriga, na cobertura, um parque público. Agora, a partir do momento em que eles forem contratados pela Prefeitura (está em andamento), os profissionais terão seis meses para desenvolver um anteprojeto do Novo Elevado, mas não significa que haverá algum tipo de obra.

 

“Caminhos do Elevado – Memórias e Projetos” pode ser encontrado nas livrarias ao preço de R$ 70,00.